Circunlóquios:
“Teus sinais, me confundem da cabeça aos pés, e por dentro eu me devoro. Te devoraria, qualquer preço...”.
~ Djavan
Em tempo, isto deveria ser um drama, mas estou flutuando alto demais, e quero mais é ficar alegre... Mas tente me entender, sim?
Eu adoro estar com ela, ao lado dela. Sou feliz quando ela me sorri, e me chama de convencido, e ri fazendo cara de bravinha. E apesar disso, só consigo vislumbrar o mais negro futuro para nós. Um desgaste a cada briga. Uma insegurança e uma troca irritante de acusações de passados deixados para trás de um pelo outro e defesas baseadas no “nunca pedi nada”. E ainda assim, a amo, e quero que ela deixe o passado para trás sem que eu lhe peça algo.
Já não canto seus passos. Não o tempo todo. Não em voz alta. Tenho medo que isto, bonitinho hoje, se torne terrivelmente insuportável num futuro, ainda que tema este futuro nunca existir.
Hoje fomos só nós dois. Foi o programa mais casal que já fiz com uma garota sem namorá-la. Passeamos toda a paulista. Ou quase, pulamos o Paraíso e começamos na Brigadeiro mesmo. Por ser mais doce, acho! E de lá lhe mostrava a cidade como se mostra a uma estranha. Exibia pequenas pérolas que tinha e ela, sempre alegre, me deixava me exibir para, no fim, dizer, “já sabia”, e ríamos.
Eu a olhava nos olhos, e ela fugia, rindo e me obrigando a olha seu sorriso lindo. E eu pensava: “te adoro” enquanto dizia; “acho toda a literatura underground, nebulosa e subversiva, fascinante”. Ela me olhava de volta e devia pensar como eu, e como eu também dizia: “eu com certeza comprarei seu livro”. E nos olhávamos. Uns em pensamentos, outros no plano físico tido como hipoteticamente real, quando é apenas o mais chato dos planos. Eu quis beijá-la, mas não precisei, o fizemos em outro lugar, em outro instante, ao mesmo tempo em que saboreávamos uma sobremesa. E ela sorriu junto comigo.
Nossos universos só se encontraram quando, cheio de coragem lhe tomei as mãos, e por instantes éramos só nós dois de novo, ali, numa mesa de bar, tomando sorvete. E não dizíamos mais nada.
Eu deveria gritar: “vamos, fuja comigo para Jericoacoara e seja só minha!”, mas ao contrário, chamei o garçom, pedi água, café e a conta. E ela me olha, esperando que eu lhe grite: “amor, fuja comigo para Jericoacoara e seja só minha”, mas sorri elegante quando pago a conta e a convido a voltarmos para casa, e de metrô mesmo, que o cavalo branco ta no rodízio.
E destas pequenas alegrias, numa balança sinistra continuo pesando as medidas e concluindo as mesmas coisas. Só há uma certeza. Foi uma noite impar, e eu gosto muito dela... Só precisávamos perder o medo. Eu dela largar tudo e não corresponder ao que ela gostaria. Ela, de que no futuro tivesse trocado gato por lebre, e ainda tivesse que me ouvir dizendo; “nunca pedi nada”. Talvez eu devesse continuar cantando seus passos, já que há a sombra deste futuro não existir. Então sigo cantando-os, mas não o tempo todo e nem e voz alta.
Emanuel Campos
Esse foi o segundo texto que ganhei ! Esse foi por encomenda, como se fosse uma pintura que a artista pousa pro pintor!
3 comentários:
Que lindooooo
Priscila, infelizmente não vai ser dessa vez que vamos nos conhecer. Snif... Vou passar o fim de semana em Ilhabela. Mas, não irá faltar oportunidades. OK?! Beijinhos! Adoro você! Bom final de semana!
Ah, não come muito foundue lá em Campos! hehe...
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