quinta-feira, setembro 22, 2005

Atenção ao Sabado - Clarice Lispector

Acho que sábado é a rosa da semana; sábado de tarde a casa é feita de cortinas ao vento, e alguém despeja um balde de água no terraço; sábado ao vento é a rosa da semana; sábado de manhã, a abelha no quintal, e o vento: uma picada, o rosto inchado, sangue e mel, aguilhão em mim perdido: outras abelhas farejarão e no outro sábado de manhã vou ver se o quintal vai estar cheio de abelhas.
No sábado é que as formigas subiam pela pedra.
Foi num sábado que vi um homem sentado na sombra da calçada comendo de uma cuia de carne-seca e pirão; nós já tínhamos tomado banho.
De tarde a campainha inaugurava ao vento a matinê de cinema: ao vento sábado era a rosa de nossa semana.
Se chovia só eu sabia que era sábado; uma rosa molhada, não é?
No Rio de Janeiro, quando se pensa que a semana vai morrer, com grande esforço metálico a semana se abre em rosa: o carro freia de súbito e, antes do vento espantado poder recomeçar, vejo que é sábado de tarde.
Tem sido sábado, mas já não me perguntam mais.
Mas já peguei as minhas coisas e fui para domingo de manhã.
Domingo de manhã também é a rosa da semana.
Não é propriamente rosa que eu quero dizer.

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Esse é meu segundo texto preferido da Clarice. O primeiro é um que ela fala da praia.
Estou atribulada. Final de projeto no serviço, final da faculdade, meus pais se separando, não consigo fazer dieta. Estou pensando em tirar ferias em novembro pra estudar e descansar. Espero conseguir!

2 comentários:

Dani disse...

Lindo este texto. Eu não conhecia...
Espero que o fim de projecto corra bem, e que você aguente bem a separação dos seus pais, pois eles precisam da sua ajuda.
Beijos, Gabi

Anônimo disse...

Tadinha da Rebecca... Ela não sabe mandar e-mails... Ainda bem que ela sabe comentar, neh? ou nao!